O Raio-X das Rodoviárias

Quero pedir licença aos amigos leitores para falar um pouco de política. Mas antes que pensem mal a meu respeito, o assunto tem tudo a ver com turismo e viagens. Aqui, no RS, a Assembléia Legislativa implantou recentemente uma comissão especial temporária para avaliar a situação das rodoviárias no Estado. E, aposte, há muita poeira para se tirar de baixo do carpete. Segundo dados da associação que representa as empresas de transporte intermunicipal no RS, 150 milhões de pessoas são transportadas por ano pelas estradas gaúchas e, portanto, são usuárias diretas destes espaços.
Quem tem um mínimo de experiência pelos terminais rodoviários do Estado sabe que a qualidade de algumas rodoviárias deixa, e muito, a desejar. Mais do que criticar o fato de que a maioria simplesmente parece apenas estacionamentos improvisados de ônibus está a dúvida do processo licitário. Por que os responsáveis por estes espaços lucrativos e fundamentais para a comunidade parecem ser sempre os mesmos?
A comissão da Assembléia gaúcha pretende realizar uma série de audiências e visitas pelo interior e apresentar, dentro do prazo de 120 dias, um relatório com críticas, sugestões e apontamentos. Esta é uma ótima oportunidade para se tocar em um tema delicado e pouco pautado pela mídia.
E os ônibus?
Rodoviárias lembram o que mesmo? Em tempos de acidentes aéreos, tem sido mais fácil criticar aviões e esquecer que os ônibus ainda são a principal opção da maioria da população brasileira. Não só questões como a infra-estrutura, mas também a qualidade dos ônibus deve ser discutida. Embora o RS seja uma referência positiva no Brasil em termos de transporte rodoviário de passageiros, isso não deve servir de biombo para esconder a delicada questão dos contratos de licitação de empresas de transporte no estado. São poucas as companhias, hoje, que prestam este serviço no Estado e, na maioria das vezes, as opões de preços são pouco variadas. Pasmem, segundo a Agergs (Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados), pelo menos um terço dos contratos de licitação das apenas 300 empresas de transporte de longo curso está vencido. Vale a pena ficar de olho.
Paulo Rocha é jornalista e produtor do programa Mapa Mundi – Inteligência em Turismo, da Rádio Bandeirantes de Porto Alegre (RS).

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Boas dicas! Gostei muito desse post! Voltarei mais vezes, parabéns! Essas rodoviárias são absurdas mesmo! tem mais é que privatizar todas!