Passeio de bici em Cascais

Esqueça a bebedeira de sexta-feira à noite no Bairro Alto. Vale a pena acordar cedinho no sábado se o destino for Cascais. A ida, por si só, já vale o passeio. De trem, nas encostas do Tejo, avistam-se lindas casas com belos gramados e jardins. Bom, mas a ida é rapidinha: cerca de 45 minutos. Assim que desembarcar na estação de Cascais, logo encontra-se uma barraquinha rodeada de bicicletas. As bicis, por sua vez, estão disponíveis aos turistas gratuitamente durante todo o dia. Isso mesmo, de graça, quase 24h. Mas para isso é preciso chegar bem cedinho, porque a disputa é grande.
Após pegar a sua magrela, aproveite para desbravar uma das localidades portuguesas preferidas pelos turistas. Cascais emana uma atmosfera cosmopolita sem perder o seu encanto natural. A baía é a principal atracção de local, por isso não esqueça de circular pelos passeios que rodeiam a baía e dar-se conta do contraste existente entre as cores garridas dos pequenos barcos de pesca e a sobriedade dos iates e barcos à vela ancorados nas marinas.

Boca do Inferno, Cascais, Portugal.
Depois, pedale alguns poucos quilômetros e encontre a linda Boca do Inferno. Um lugar de tirar o fôlego pela beleza natural. A lenda do lugar, porém, é uma história bastante triste. Segundo ela, havia em Cascais um castelo onde vivia um terrível feiticeiro. Um dia, ele decidiu casar-se e escolheu para noiva a mais bela mulher das redondezas, através da sua lâmina de cristal de rocha. Quando a trouxeram até ele, ficou impressionado porque ela era ainda mais bela do que parecia. Cheio de ciúme, e com medo de perdê-la, decidiu fechá-la numa torre alta, escolhendo para seu guardião o seu cavaleiro mais fiel. Este, cheio de curiosidade, decidiu um dia subir até a torre para ver que prisioneiro era aquele que guardava há tanto tempo. Quando abriu a porta, ficou fascinado com tamanha formosura. Foi aí que começou a visitar a jovem, nascendo dali um grande amor. Decidiram, então, fugir juntos e, montados num cavalo branco, cavalgaram pelos rochedos junto ao mar. Esqueceram-se, porém, que a magia do feiticeiro permitiu-lhe ver tudo! Assim, cheio de raiva, ele criou uma tal tempestade que fez com que os rochedos por onde os namorados caminhavam se abrissem, como uma enorme boca infernal, que os engoliu para sempre. O buraco nunca mais fechou e começou a chamar-se, popularmente, a Boca do Inferno.
Melancolia lendária a parte, um passeio de bicicleta por lá pode ser mais do que lindo.
Janaína Kalsing é jornalista e reside na bela capital portuguesa

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Janaína. Simplesmente fantástico o Post. Não resisti a comentar. Gostaria de sugerir algo característico do Cascais… O Vinho Carcavelos. Conhecido com o preferido do Marquês do Pombal. Vários enólogos lutam bravamente para não deixar esse vinho morrer. Ele teve seu auge no século XVII e só é mantido por poucas vinhas para que não se deixe essa tradição morrer. Trata-se de um vinho licoroso, com características semelhantes ao vinho do Porto. E foi exatamente pela semelhança com o vinho do Porto, que ele quase morreu. Vale a pena tomar um, (UM APENAS HEIN?) cálice do Vinho do Cascais. Abraço e parabéns mais uma vez.