Fora da rota turística, mas destino obrigatório
Descobri uma cidadezinha que não está nos guias, não é citada como lugar turístico e, quando digitada seu nome do Google, mal aparece. Mas eu a descobri! O nome? Alcácer do Sal. A denominação é esquisita, mas o lugar é um encanto. Daqueles que devem ser desfrutados por mais de um único dia. Do pouco que descobri, soube que lá vivem 15 mil habitantes e a economia dá-se, basicamente, pela pesca no Rio Sado.
O que mais impressiona naquela cidade que mais parece um pequeno vilarejo é o clima de acolhimento, que vai desde a receptividade dos velhinhos sentados na praça a jogar conversa fora, das velhinhas a vender camarão dentro de um barquinho estacionado na calçada até o lindo pôr-do-sol. O turista não se sente como tal. Uma delícia!

A bela Alcácer do Sal
E quem for para lá deve estar, de preferência, com muita fome. A gastronomia é um atractivo à parte. A sua posição ribeirinha permite que deliciosos pratos tipicamente alentejanos sejam degustados. São cardápios típicos a açorda, o achigã grelhado, a carne de porco à alentejana, o coelho frito, o ensopado de borrego, o feijão adubado, as migas de batata, a sopa de corvina e a sopa de tomate. Na doçaria, a variedade é irresistível e a sabedoria conventual prolongou-se no tempo: os salacianos, o bolo de mel, a tarte de pinhão, as pinhoadas, os rebuçados de ovo, o bolo real e as queijadas do Torrão.
Bem, mas para não dizer que Alcácer está completamente fora do mapa, descobri algumas coisas que me deixaram ainda mais decidida a voltar para lá. Uma delas é que os arqueólogos atestam a presença humana no local há mais de 40 mil anos!!! Ou seja, estamos falando de uma das civilizações mais antigas da Europa. Bem, ainda assim, é apenas no período mesolítico que se referem os primeiros dados de produção agrícola e pecuária, registrando-se também troca de produtos, como por exemplo peças de cerâmica. Na Idade do Ferro, a zona conheceu um grande crescimento urbano, possuindo inclusive moeda própria.

Que tal degustar um camarão?
E não pára por aí! Dizem os historiadores que Alcácer foi fundamental na sustentação dos descobrimentos portugueses. A qualidade do pinheiro manso, abundante na região, foi tida como especialmente conveniente para algumas peças da construção naval, tendo essa madeira sido largamente utilizada na construção das embarcações.
Pois é, eu sabia que tinha vínculos fortes com a envolvente Alcácer do Sal.
Janaína Kalsing é jornalista, trabalha no jornal Público e reside na bela capital portuguesa

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