
Um lugar que causa arrepios. Não são arrepios de frio, nem de susto e muito menos de medo. São arrepios de uma sensação desconhecida, a qual ainda não existe denominação no nosso vocabulário. Difícil de entender? Então vai a Sintra! Só assim tu vais entender do que estou a falar.
Sintra é uma pequena vila cercada de lindas casinhas, bosques amenos, castelos imponentes – Mouros e Pena – e fontes de água natural. Tudo parece ter sido construído milimetricamente, porque tudo beira à perfeição. Lá tudo é muito pitoresco: a tranquilidade dos moradores, na sua maioria simpáticos velhinhos sustentados por bengalas de madeira, a calmaria do trânsito nas pequenas ruelas, o delicioso croissant do barzinho escondido perto da praça, os pombos a namorar (foto). Ah, namorar… Sintra é um convite ao romance. Sintra exala amor. A cidade precisa ser visitada em boa companhia. Opções de passeio romântico não faltam. À noite, é possível encontrar restaurantes com típica comida portuguesa bem em conta. De quebra, bebericar um saboroso vinho produzido pela própria comunidade.

Sintra, cidade dos reis.
Dezenas de pessoas deixaram-se seduzir pelos encantos de Sintra, especialmente cineastas, como Win Wenders e Rui Guerra, que ali filmaram, e Glauber Rocha, director de Terra em Transe (1967), que ali morou com a família. A relação de Glauber com Portugal é, no mínimo, curiosa, e a escolha de Sintra como paradeiro português é sintomática do destino do cineasta brasileiro. Bem, a história é longa e está muito bem relatada pelo Telescópio (http://br.geocities.com/telescopionegro/21_09_2004/cinema.htm). Confere lá! Em resumo: durante as filmagens de “O Estado das Coisas”, de Win Wenders, Glauber teria dado um depoimento em vídeo, gravado por dois atores que trabalhavam na filmagem, que teria sido poeticamente baptizado de “Sintra is a beautiful place do die” (Sintra é um belo lugar para morrer). Não sei o conteúdo da fala, mas uma coisa é certa: Glauber era um gênio. Gênios como ele sabem das coisas. Porém, em Sintra, me perdoe, Glauber, o que menos vontade se tem é de morrer.
Janaína Kalsing é jornalista e reside na bela capital portuguesa






