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O verão escaldante de Portugal está chegando ao fim. Consequentemente, as idas à praia no fim-de-semana também. Eu gosto do verão, de jogar 5 corta na beira da praia e de tomar banho de mar. Bom, o fato é que fiz tudo isso durante longos quatro meses de muito calor, com excepção do banho. Ora, motivos eu tinha: as águas daqui não são como as nossas! Basta o dedo maior do pé entrar em contacto com a água para já congelar o cérebro. Sério. Ainda não vi ninguém morrer por tomar banho de mar aqui, mas eu juro que morreria. Meu sangue pararia de circular, sei lá.

Mar quentinho. Pode mergulhar!
Eu não entendo também por que tantos turistas vêem frequentar o oceano gelado daqui. Devem gostar de não sentir os dedos dos pés. Bom, talvez, devesse perguntar a eles. Mas isso não importa! O facto é que essa história de ser não conseguir desbravar o mar me atormenta. Por que só eu preciso torrar na areia enquanto meus amigos divertem-se mar a dentro? Por que só eu tenho de pagar mico por me refrescar com baldinho de criança?

Faro, Algarve.
Bom, agora esses questionamentos fazem parte do passado. Existe um lugar chamado Faro, na região do Algarve, ao sul de Portugal. Podem dizer o que quiserem: é um lugar de burguês, frequentado pelas celebridades portuguesas e bibibi. Nada importa. O facto é que o Faro possui um mar IDÊNTICO ao da praia de Jurerê, em Santa Catarina. O mar é quentinho, calmo, de poucas ondas, limpo
Tibum! Dez vezes tibum! Depois de desidratar em Sevilla, no caminho de volta passei pelo mar do Faro e tibum. Que delícia de banho, que fofura de areia, que espetáculo de sol. Uma primeira vez incrível.
Janaína Kalsing é jornalista, trabalha no jornal Público e reside na bela capital portuguesa

Esqueça a bebedeira de sexta-feira à noite no Bairro Alto. Vale a pena acordar cedinho no sábado se o destino for Cascais. A ida, por si só, já vale o passeio. De trem, nas encostas do Tejo, avistam-se lindas casas com belos gramados e jardins. Bom, mas a ida é rapidinha: cerca de 45 minutos. Assim que desembarcar na estação de Cascais, logo encontra-se uma barraquinha rodeada de bicicletas. As bicis, por sua vez, estão disponíveis aos turistas gratuitamente durante todo o dia. Isso mesmo, de graça, quase 24h. Mas para isso é preciso chegar bem cedinho, porque a disputa é grande.
Após pegar a sua magrela, aproveite para desbravar uma das localidades portuguesas preferidas pelos turistas. Cascais emana uma atmosfera cosmopolita sem perder o seu encanto natural. A baía é a principal atracção de local, por isso não esqueça de circular pelos passeios que rodeiam a baía e dar-se conta do contraste existente entre as cores garridas dos pequenos barcos de pesca e a sobriedade dos iates e barcos à vela ancorados nas marinas.

Boca do Inferno, Cascais, Portugal.
Depois, pedale alguns poucos quilômetros e encontre a linda Boca do Inferno. Um lugar de tirar o fôlego pela beleza natural. A lenda do lugar, porém, é uma história bastante triste. Segundo ela, havia em Cascais um castelo onde vivia um terrível feiticeiro. Um dia, ele decidiu casar-se e escolheu para noiva a mais bela mulher das redondezas, através da sua lâmina de cristal de rocha. Quando a trouxeram até ele, ficou impressionado porque ela era ainda mais bela do que parecia. Cheio de ciúme, e com medo de perdê-la, decidiu fechá-la numa torre alta, escolhendo para seu guardião o seu cavaleiro mais fiel. Este, cheio de curiosidade, decidiu um dia subir até a torre para ver que prisioneiro era aquele que guardava há tanto tempo. Quando abriu a porta, ficou fascinado com tamanha formosura. Foi aí que começou a visitar a jovem, nascendo dali um grande amor. Decidiram, então, fugir juntos e, montados num cavalo branco, cavalgaram pelos rochedos junto ao mar. Esqueceram-se, porém, que a magia do feiticeiro permitiu-lhe ver tudo! Assim, cheio de raiva, ele criou uma tal tempestade que fez com que os rochedos por onde os namorados caminhavam se abrissem, como uma enorme boca infernal, que os engoliu para sempre. O buraco nunca mais fechou e começou a chamar-se, popularmente, a Boca do Inferno.
Melancolia lendária a parte, um passeio de bicicleta por lá pode ser mais do que lindo.
Janaína Kalsing é jornalista e reside na bela capital portuguesa






